Em tempos de whatsapp, os
sentimentos vêm e vão na velocidade da necessidade de resposta. As amizades são
duradouras, intensificadas diariamente por declarações e inúmeros corações que
banalizam o euteamar.
Certo dia, recebi um “eu te amo”
além do amigável, hesitei em responder, haja vista a minha dificuldade capri em
banaliza-lo e sabe-lo real, mas, depois de refletir acerca, sem muito me
demorar, retornei, por saber que era sincero.
A conversa foi exatamente assim:
- Eu te amo, Ray
Antes de dizer como continuou
essa conversa, gostaria de, ao menos, tentar explicar aos corações abertos o
porquê da pessoa capricorniana ser tida como fria, insensível, fechada: porque
a gente ama quando, de fato, ama. A gente concretiza em palavras o que, de
fato, sente. A gente se fecha enquanto não estabelece confiança, companheirismo
e merecimento. Antes de falar do amor capricorniano, pergunte a alguém amado
por uma pessoa capri. Quando a gente ama, velho, a gente cuida, a gente toma as
dores do outro, a gente protege, a gente se preocupa, a gente acredita e
incentiva a pessoa, a gente faz de tudo pra ajudar, a gente faz carinho, faz
massagem, faz elogio, cresce e faz crescer a outra pessoa; a gente pergunta o
que ela quer da vida, ou a ajuda a descobrir, e luta junto com ela, até mais
que para os seus próprios sonhos. A gente sofre e se sente realizada junto.
Quando a gente se abre para o amor, a gente é toda amor. E esse tempo de
abertura depende, unicamente, da outra pessoa, de suas ações. Acreditamos mais
num amor-ação, que num amor-palavras. Amar é retorno. Amar é uma via de mão
dupla. Assim, a intensidade nos independe do tempo. Não demorei para amar essa
pessoa, mas demorei para sabe-lo [que a amava], apesar de sempre demonstrar com
ações, especialmente nas últimas semanas, quando tive a descoberta. Por isso,
depois de todo um trabalho de abertura e de estabelecimento de vínculos, laços,
confiança, parcerias, companheirismo, apoios, admirações, revelações, motivos
esses e outros pelos quais eu resolvi, por sabe-lo sincero, soltar o Idem:
- É difícil pra mim essa frase,
pq tento não banaliza-la, e só digo quando ela não são apenas palavras, mas são
também sentimentos. Eu te amo também.
- Ela disse!!!!!!! [muitos corações
aqui]
E, depois disso, a vida seguiu
normalmente, como se nada tivesse acontecido para o travessão número um, que
sumiu, após esta frase ‘’ela disse’’. Sim, eu disse; infelizmente, eu disse. Me
abri para a possibilidade de um amor, o qual durou o tempo de uma visualização
não respondida: uma vida num segundo, duas semanas de sumiço, quatro tentativas
de encontro em festas, convites recusados ou, simplesmente, sem resposta,
curtidas, mensagens e interações não acontecidas apenas comigo, um dos ‘’amores’’
da vida de travessão um, situação com a qual eu estava até confortável, por já
termos conversado acerca e na minha vida existirem também outros amores. Além de ter se limitado a "amizade para as amigas", de modo que as minhas amigas também pudessem fazer parte da coleção de "amores carnais" de Travessão Um. Fico
imaginando as razões pelas quais uma pessoa
1. Se declara à distância e
prefere manter distância
2. Ignora, durante semanas, a
outra [fico imaginando, muito, essas conversa face a face]
3. Diz, irresponsavelmente, que
ama, quando não parece dissociar certas homoafeições de diversão e liberdade
fajuta, mas, não, romantismos, esses só heteroafetivos.
No fim das contas, este foi só
mais um não-relacionamento abusivo de redes sociais, ao encontro do qual me
jogaram, irresponsavelmente, um euteamar bissexual heterorromântico.
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