terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A irresponsabilidade de um ‘’eu te amo’’




Em tempos de whatsapp, os sentimentos vêm e vão na velocidade da necessidade de resposta. As amizades são duradouras, intensificadas diariamente por declarações e inúmeros corações que banalizam o euteamar.

Certo dia, recebi um “eu te amo” além do amigável, hesitei em responder, haja vista a minha dificuldade capri em banaliza-lo e sabe-lo real, mas, depois de refletir acerca, sem muito me demorar, retornei, por saber que era sincero.

A conversa foi exatamente assim:
- Eu te amo, Ray


Antes de dizer como continuou essa conversa, gostaria de, ao menos, tentar explicar aos corações abertos o porquê da pessoa capricorniana ser tida como fria, insensível, fechada: porque a gente ama quando, de fato, ama. A gente concretiza em palavras o que, de fato, sente. A gente se fecha enquanto não estabelece confiança, companheirismo e merecimento. Antes de falar do amor capricorniano, pergunte a alguém amado por uma pessoa capri. Quando a gente ama, velho, a gente cuida, a gente toma as dores do outro, a gente protege, a gente se preocupa, a gente acredita e incentiva a pessoa, a gente faz de tudo pra ajudar, a gente faz carinho, faz massagem, faz elogio, cresce e faz crescer a outra pessoa; a gente pergunta o que ela quer da vida, ou a ajuda a descobrir, e luta junto com ela, até mais que para os seus próprios sonhos. A gente sofre e se sente realizada junto. Quando a gente se abre para o amor, a gente é toda amor. E esse tempo de abertura depende, unicamente, da outra pessoa, de suas ações. Acreditamos mais num amor-ação, que num amor-palavras. Amar é retorno. Amar é uma via de mão dupla. Assim, a intensidade nos independe do tempo. Não demorei para amar essa pessoa, mas demorei para sabe-lo [que a amava], apesar de sempre demonstrar com ações, especialmente nas últimas semanas, quando tive a descoberta. Por isso, depois de todo um trabalho de abertura e de estabelecimento de vínculos, laços, confiança, parcerias, companheirismo, apoios, admirações, revelações, motivos esses e outros pelos quais eu resolvi, por sabe-lo sincero, soltar o Idem:

- É difícil pra mim essa frase, pq tento não banaliza-la, e só digo quando ela não são apenas palavras, mas são também sentimentos. Eu te amo também.

- Ela disse!!!!!!! [muitos corações aqui]


E, depois disso, a vida seguiu normalmente, como se nada tivesse acontecido para o travessão número um, que sumiu, após esta frase ‘’ela disse’’. Sim, eu disse; infelizmente, eu disse. Me abri para a possibilidade de um amor, o qual durou o tempo de uma visualização não respondida: uma vida num segundo, duas semanas de sumiço, quatro tentativas de encontro em festas, convites recusados ou, simplesmente, sem resposta, curtidas, mensagens e interações não acontecidas apenas comigo, um dos ‘’amores’’ da vida de travessão um, situação com a qual eu estava até confortável, por já termos conversado acerca e na minha vida existirem também outros amores. Além de ter se limitado a "amizade para as amigas", de modo que as minhas amigas também pudessem fazer parte da coleção de "amores carnais" de Travessão Um. Fico imaginando as razões pelas quais uma pessoa

1. Se declara à distância e prefere manter distância
2. Ignora, durante semanas, a outra [fico imaginando, muito, essas conversa face a face]
3. Diz, irresponsavelmente, que ama, quando não parece dissociar certas homoafeições de diversão e liberdade fajuta, mas, não, romantismos, esses só heteroafetivos.


No fim das contas, este foi só mais um não-relacionamento abusivo de redes sociais, ao encontro do qual me jogaram, irresponsavelmente, um euteamar bissexual heterorromântico.